Como escolher FPSs utilizando um processo decisório estruturado e uma perspectiva da complexidade?

Para responder a essa questão, desenvolvemos uma estrutura para a escolha de FPSs em canteiros de obras, que adota a perspectiva da teoria da complexidade. A adequação da teoria da complexidade para a escolha de FPSs também decorre do princípio da equifinalidade (Kapsali, 2013), o que significa que, em um sistema complexo, sempre existem caminhos alternativos (por exemplo, FPSs diferentes) para obter o resultado desejado (por exemplo, segurança) – se houvesse apenas uma opção, o sistema seria linear (Clegg, 2000).

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Embora a complexidade forneça uma base teórica para abordar a questão de pesquisa, em um nível operacional, a estrutura proposta é sustentada pela Escolha por Vantagens (CBA). É uma estrutura de tomada de decisão preocupada com as vantagens das alternativas e faz comparações com base nessas vantagens (Suhr, 1999). Estudos anteriores de CBA na construção (Arroyo et al., 2016, Arroyo et al., 2015) apontaram seus pontos fortes em relação a outras abordagens de tomada de decisão, como a documentação do raciocínio decisório, a análise baseada em contexto e o adiamento de julgamentos subjetivos até o final do processo de tomada de decisão. Além disso, a CBA deixa a parte de custo da análise para o final do processo de tomada de decisão, não excluindo antecipadamente nenhuma alternativa relevante e não enviesando esse processo desde o início devido a considerações de custo (Suhr, 1999). Portanto, tanto a teoria da complexidade quanto a CBA são orientadas a sistemas, o que sugere que elas podem ser adotadas em conjunto para a escolha de FPSs.

Este artigo descreve uma aplicação da estrutura proposta a um projeto de construção real no Brasil. Duas FPS alternativas foram analisadas, a saber, redes de segurança e andaimes de fachada – doravante, quando o termo andaime for usado isoladamente, refere-se a andaimes de fachada. Essas tecnologias são adotadas e abordadas por regulamentações em muitos países (Jahangiri et al., 2019, Brodskiy, 2019, Riquelme et al., 2014, Rubio-Romero et al., 2013), o que aumenta a utilidade deste trabalho. Este estudo é particularmente importante para países em desenvolvimento, que estão significativamente atrás dos desenvolvidos em termos de desempenho de segurança na construção e adoção de tecnologias de segurança (Manu et al., 2019). Nesse sentido, o contexto brasileiro é relevante, pois quedas de altura são uma importante fonte de acidentes fatais na construção civil (CBIC, 2019), as fiscalizações trabalhistas são rigorosas em algumas regiões (Saurin, 2016) e FPSs artesanais são comuns.